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Crescem as contratações nas empresas de aviação


05/07/2006
 
A drama financeiro sem precedentes vivido pela Varig, ícone da aviação civil no país, não reflete uma crise no setor aéreo comercial no país. Muito pelo contrário. Nos últimos anos, ele vem desfrutando de um período contínuo de aquecimento. Das grandes companhias, como a Gol e a TAM, às de menor porte, como a Ocean Air, todas planejam expressivas contratações até o fim do ano, com a a ampliação do quadro de funcionários. Se entre as maiores, parece haver um pacto velado de não comentar se aproveitarão as brechas abertas pelas abruptas baixas na operação da Varig na hora de contratar pessoas, entre as pequenas há quem não hesite em dizer que pretende ocupar o espaço de mercado deixado pela pioneira da aviação comercial no Brasil e usar seu pessoal. Julio Bittencourt/Valor

Quem estuda o assunto, enfatiza que a má sorte da Varig coincide com um período de bonança para este mercado no país - o setor aéreo é apontado como um dos mais sensíveis ao desempenho da economia. "Estimativas das mais até as menos otimistas dão conta de um crescimento de 10% a 18% do segmento neste ano - o setor responde por 3% do PIB", lembra o professor Richard Lucht, diretor acadêmico de pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), professor conferencista do Instituto Tecnológico de Aeronáutica e estudioso dos negócios do setor aeroespacial no Brasil.

A demanda justifica o aquecimento. Só nos quatro primeiros meses de 2006, o tráfego de passageiros domésticos no mercado brasileiro foi de 12,8 bilhões RPKs (passageiro-quilômetro transportado), o que representa um crescimento de 20,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2005, o RPK doméstico cresceu de 5,5 bilhões para 33,7 bilhões, um aumento de 19,4% sobre 2004. A Gol já se pronunciou afirmando que grande parte do crescimento do mercado pode ser atribuída ao "efeito Gol", baixas tarifas estimulando o aumento da demanda de viagens aéreas. Lá, até o fim do ano, está previsto o recrutamento de profissionais para as áreas de tecnologia da informação, jurídica, recursos humanos, marketing, financeira, manutenção, técnica, planejamento, projetos e aeroportos. Assim como a Gol, outras companhias estão recrutando para a linha de frente e para a área operacional.

Na última semana, a Gol revisou inclusive seus planos de expansão e elevou para cima suas metas. De janeiro a maio, a companhia recrutou 1.260 colaboradores e pretende contratar, de julho a dezembro, outros 1,2 mil. Só em maio foram admitidas 600 pessoas. A expansão segue no ritmo do ano passado, quando a companhia abriu 2,7 mil novos postos de trabalho. Por questões estratégicas e negociações em bolsa, a empresa não revela prognósticos.

Também na semana passada, a Ocean Air, a número um da aviação regional no país, que operava com dois aviões, colocou em operação mais dois. E antecipou tarefas do seu plano de expansão. Carlos Ebner, presidente da Ocean Air, é mais enfático. Estamos tentando ocupar o espaço que a Varig deixa, afirma. Ela tinha 70 aviões voando e agora tem uns 20, exemplificou. Ebner explica o entusiasmo pelo fato de o mercado doméstico crescer uns 15% ao ano. Diferentemente de outras companhias, ele revela que pretende aproveitar o pessoal que trabalhava na Varig. "As pessoas de lá que forem bem qualificadas e que tivermos necessidade, vamos recrutar, sim", diz.

A TAM, que toma a dianteira no mercado, com 44,3% de market share, por exemplo, em março do ano passado tinha 8.550 funcionários, e agora contabiliza 10.240. O recrutamento não deve ser tão grande quanto o do ano passado, mas prosseguirá "na medida que forem chegando os novos aviões encomendados para ampliar a frota", destacou Roberto Hobeika, diretor de gestão de pessoas da TAM.

Hoje, a TAM tem 83 aeronaves em operação. Na última quarta-feira, anunciou assinatura de um memorando de entendimento para a aquisição de mais 37 aeronaves Airbus. Serão 15 Airbus A319, 16 A320 e seis A330 para entregas até 2010. Esses novos aviõe
 
Autor: Terciane Alves
Fonte: Valor Econômico