Discurso de Abertura
Proferido pelo Magnífico
Reitor da PUC-Campinas
10 de setembro de 2006
Ilustríssima Senhora Professora Doutora Vera Engler Cury,
Pró-Reitora
de Pesquisa e Pós-Graduação da PUC-Campinas.
Ilustríssimo Senhor Professor Doutor Germano Rigacci Júnior,
Pró-Reitor de Graduação da PUC-Campinas.
Ilustríssimo Senhor Professor Marco Antonio Cárnio, Pró-Reitor
de Administração da PUC-Campinas.
Ilustríssimo Senhor Professor Paulo de Tarso Barbosa Duarte, Pró-Reitor
de Extensão e Assuntos Comunitários da PUC-Campinas.
Ilustríssimo Senhor Professor Doutor Orandi Mina Falsarella, Diretor
do Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias da PUC-Campinas.
Ilustríssima Senhora Professora Doutora Yvone Salgado, Coordenadora
do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em
Urbanismo da PUC-Campinas.
Ilustríssima Senhora Professora Doutora Maria Adélia Aparecida
de Souza, Coordenadora Geral deste Encontro
e Consultora Técnica
da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários
da PUC-Campinas.
Senhores Convidados deste Encontro, vindos de diversas partes do Mundo
e do Brasil.
Senhores Participantes deste Encontro, que nos distinguem com sua honrosa
presença.
Senhores Professores e Professoras, Funcionários e Funcionárias,
Alunos e Alunas da PUC-Campinas.
Senhoras e Senhores:
Há pouco mais de sete meses, neste mesmo auditório, tomei
posse do cargo de Reitor desta Pontifícia Universidade Católica
de Campinas, a PUC-Campinas, como a denominamos
carinhosamente. Foi no dia 1º de fevereiro de 2006.
Naquele mesmo dia, como primeiro ato da gestão que se iniciava,
declarei oficialmente abertas as comemorações do sexagésimo
quinto aniversário da fundação de nossa Universidade.
Estamos, pois, neste ensejo, comemorando esse aniversário da maneira
mais genuinamente acadêmica, ao promover este I ENCONTRO DA EXTENSÃO
E DA PESQUISA, que objetiva debater o futuro da metrópole,
com a contribuição de professores, cientistas e extensionistas,
do Brasil e do Mundo, os quais buscam aplicar seu conhecimento e sua
experiência na realidade concreta, em colaboração
efetiva com a Comunidade, em ordem à construção
de um mundo melhor e mais justo.
Ao assim discutir A METROPOLE E O FUTURO, a Universidade
exibe sua maneira generosa de trabalhar para
a Sociedade, especialmente para aquela em
que se insere de modo próximo
e imediato – a
Cidade, o Município e a Região Metropolitana de Campinas;
e este deverá ser, por uma clara opção de política
institucional, o foco central das ações de Extensão
da PUC-Campinas.
Em verdade, este I Encontro da Extensão e da Pesquisa da PUC-Campinas
igualmente desvela o resultado de uma intencionalidade por mim proclamada
desde antes da efetiva assunção de meus deveres de Reitor
desta Universidade – a de que o trabalho acadêmico há de
ser, precipuamente, trabalho em equipe, capaz de envolver docentes,
discentes e servidores técnicos e administrativos e de contemplar,
coordenadamente, atividades de Extensão, Pesquisa e Ensino, indissociáveis
aliás, dentro da vida universitária, por exigência
conceitual da Ciência e da Lei.
Deveras. Este I Encontro reuniu contribuições de vários
e diversos setores da Universidade para a sua realização:
Pró-Reitorias, Centros, Museu, TV, e Departamentos Administrativos.
Daí o seu garantido sucesso, assegurando a todos um ambiente
fraterno e criativo.
Por isso, sou desde logo grato a todos que
viabilizaram este momento único, possibilitador do livre embate
de idéias e reflexões e da exposição de
trabalhos e pesquisas sobre a vida, em particular a vida da metrópole
e na Metrópole.
Quero também destacar um outro ponto importante: este I Encontro
da Extensão e da Pesquisa expressa às claras a prática
da Universidade competente e autônoma, porém fundamentalmente
comprometida com o futuro da Sociedade, tal como preconizado em sua
Missão:
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A Pontifícia Universidade Católica de Campinas,
a partir de valores ético-cristãos, considerando
as características socioculturais da realidade, tem como
missão produzir, sistematizar e socializar o conhecimento,
visando à capacitação profissional de excelência, à formação
integral da pessoa humana e à contribuição
com a construção de uma sociedade justa e solidária. |
Demais disto, este I Encontro da Extensão e da Pesquisa da PUC-Campinas
alegra-nos ainda mais, pois homenageia um dos grandes intelectuais brasileiros,
cuja obra libertária é fonte permanente de inspiração
do trabalho acadêmico como o compreendemos: o geógrafo
Milton Santos.
Comemoramos os 80 anos que esse ilustre professor hoje teria, se vivo
fosse, bem como os dez anos de divulgação de sua obra
maior: A NATUREZA DO ESPAÇO.
Concordamos com nosso homenageado, quando, no anseio de transformar o
homem solitário em homem solidário, afirma, em seu belo
livro O ESPAÇO DO CIDADÃO, que "nenhum
egoísmo ajuda a purificar a vida social, e apenas em uma sociedade
verdadeiramente humana é que as individualidades florescem plenamente".
Como muitos autores, Milton Santos também afirma que “somente
na polis, em comunidade com os outros,
o homem é capaz de cultivar em todas as direções
todos os seus dotes, afirmando sua liberdade, pois não há liberdade
solitária”.
Não é todavia tão somente esse ilustre pensador
brasileiro que tem motivado várias das práticas acadêmicas
da PUC-Campinas, pois que é inegavelmente vivo o diálogo
de seu pensamento com o de nosso querido Paulo Freire, que, em passado
ainda recente, trouxe, por tempo significativo, o gênio
de sua colaboração pessoal ao trabalho de Extensão.
Com Paulo Freire efetivamente aprendemos que “uma educação
como prática da liberdade só poderá se realizar
plenamente numa sociedade onde existem as condições
econômicas, sociais e políticas de uma existência
em liberdade. Por conseqüência e porque não pode
haver renovação pedagógica sem uma renovação
da sociedade global, as exigências pedagógicas nos
levam também a assumir uma posição política.
Não basta que o povo imerso no seu silêncio secular
emerja dando voz às suas reivindicações. Ainda
deve tornar-se capaz de elaborar de maneira crítica e prospectiva
a sua conscientização de maneira a ultrapassar um
comportamento de rebelião para uma integração
responsável e ativa numa democracia a fazer, num projeto
coletivo e nacional de desenvolvimento.”
Acreditamos, por essa razão, que o aprofundamento do conhecimento
sobre o lugar onde vivemos ajuda a perseguir este princípio da
Pedagogia do Oprimido, proposta por Paulo Freire.
Daí nosso propósito de eleger como um objetivo central
da PUC-Campinas tornar-se um centro de referencia sobre o conhecimento
da Região Metropitana.
Sabemos quão ambicioso é esse propósito. Mas, é o
conhecimento do lugar, como nos ensinam nossos dois mestre inspiradores,
que possibilita o salto de qualidade para a construção
de uma sociedade justa e solidária.
Este I Encontro da Extensão e da Pesquisa da PUC-Campinas rende
sua homenagem, em suma, a esses dois mestres
das ciências sociais
brasileiras: Paulo Freire e Milton Santos,
cujo diálogo teórico
e epistemológico fundamenta nosso Plano Geral de Extensão
Com estas breves palavras, quero efusivamente saudar a todos os participantes
deste I ENCONTRO, mas quero também agradecer o trabalho de todos
aqueles que o permitiram possível: à sua Comissão
Científica, à sua Comissão Organizadora, enfim,
aos professores, funcionários e alunos da PUC-Campinas.
Desejo, ainda, agradecer o inestimável apoio da CAPES, do Ministério
da Educação, e da FAPESP – Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, sem o que
esta universidade não teria conseguido promover este I Encontro.
Que a solidariedade aqui plantada por este I Encontro, neste Auditório
Dom Gilberto, nos ilumine. Que o vosso trabalho seja livre, profícuo
e profundo.
Sejam todos bem-vindos a PUC-Campinas. Nós acolhemos a
todos com muita alegria.
Declaro abertos os trabalhos do I ENCONTRO INTERNACIONAL DA EXTENSÃO.
Boa noite. Muito Obrigado.
Prof. Pe. Wilson Denadai
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